Chocolate…
Em Francês fica mais bonito. Ainda mais se o filme tiver a Juliett Binochet
com seus dedos sujos e sem culpa.
Chocolate…
Ainda me ponho em situação afetiva com o pai de minha mãe, a quem chamo de “vô”, através de uma caixa de bombons.
É quando a mão estendida surge oferecendo-lhe doçuras.
A mesma doçura que ele disfarça com a distância de um exímio professor ao explicar-me, firme e eloquente, as matérias escolares.
Aquelas que eu queria não entender só para ouví-lo.
Silenciosa, nutria-me de afeto a cada pergunta respondida.
Chocolates me faltam no sumiço do diálogo com o marido de minha mãe, a quem
chamo de “paiê”.
Quis tantas vezes oferecer-lhe chocolate ao leite, mas na hora agá, o sabor era amargo: “Vou ficar assim, exagerada como você?”
Em notas de rodapé tamanho 8, permito-me o não-dito: “exagerada sim, mas adorável, como um bom Chocolate…”